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O seguro de crédito como resposta

12.02.2021
O seguro de crédito como resposta
Qual o nível de resiliência das empresas exportadoras nacionais perante um ano difícil em todos os continentes devido à pandemia? 

O último ano foi de enorme turbulência para as empresas e para as pessoas, numa dimensão nunca experienciada. A crise pandémica implicou um recuo do PIB mundial em torno de 3,5% e na zona Euro de 7,2%. Em Portugal, apesar da redução ter sido menor do que se antecipava, a queda atingiu 7,6%, com grande impacto no setor do turismo e dos transportes. As empresas industriais, com destaque para as exportadoras, mostraram grande resiliência e flexibilidade. Muitas empresas conseguiram, com grande esforço, adaptar-se e encontrar soluções inovadoras para proteger e desenvolver os seus negócios. As medidas de apoio governamentais, quer em Portugal quer na generalidade dos países, contribuíram fortemente para minimizar o impacto negativo da pandemia e injetar liquidez na economia. Esta atuação permitiu que o nível de insolvências em Portugal e no mundo não tenha sido tão elevado quanto se antecipava, face à dimensão da crise que estamos a viver.  

 

O seguro de crédito é hoje mais ou menos critico em comparação com o período pré-pandemia? 

Sem dúvida que o seguro de crédito é hoje ainda mais indispensável. O enquadramento económico atual é mais exigente e as empresas têm de cobrir os seus riscos para assegurar a continuidade do negócio. O risco de crédito é um dos mais relevantes, porque permite acautelar a tesouraria e potenciar o crescimento das vendas, fatores críticos da gestão das empresas neste período de crise. 

Apesar de se antecipar uma recuperação em 2021, com um crescimento do PIB e do comércio mundial de 5,5% e de 7%, respetivamente, prevê-se também que sejam revistas ou descontinuadas algumas das medidas governamentais de apoio. Isso poderá ter um impacto muito forte nas empresas financeiramente mais frágeis e levar a um aumento do incumprimento de crédito e das insolvências. A assimetria destes impactos só pode ser devidamente acautelada através da rigorosa monitorização do risco, associada ao seguro de crédito. 

 

Até que ponto as exportações serão afetadas pelo facto de parte dos nossos parceiros tradicionais estarem em recessão técnica? 

Em 2020 as exportações portuguesas de bens reduziram 10,2%, muito influenciadas pela queda acentuada no 2º trimestre. Os indicadores económicos são muito afetados pelas medidas de confinamento dos países, sobretudo da Europa, mas assim que as medidas são retiradas a procura tem reagido positivamente, de forma muito rápida.  Se a Europa tiver sucesso no plano de vacinação em curso e não sofrermos reveses decorrentes de novas variantes do COVID 19, a recuperação da procura e do crescimento económico deverá acontecer em 2021, como previsto. 

 

Que impacto tem tido a logística no desenvolvimento das exportações? 

Um dos grandes impactos sentidos pela pandemia foi a instabilidade das cadeias de abastecimento. As empresas tiveram de passar a dispor de alternativas de fornecimento, por vezes sacrificando a eficiência em termos de custos, mas assegurando a resiliência do seu processo produtivo. Este movimento poderá ser uma oportunidade para algumas empresas portuguesas que possam vir a ser uma alternativa nessas cadeias de fornecimento.  

 

Qual a importância dos apoios públicos ao seguro de crédito e a renovação para 2021? 

Os apoios públicos têm sido muito importantes porque têm permitido manter os níveis de cobertura do risco de crédito. O aumento do risco das empresas conduz a uma atuação mais restritiva das seguradoras na atribuição de plafonds de crédito, sendo que os apoios públicos permitem minimizar este impacto. 

A generalidade dos países renovou os apoios em 2021, ainda que, a confirmarem-se as expetativas de recuperação global das economias, será normal antecipar que estes apoios venham a ser revistos ou descontinuados.  

Portugal também renovou estes apoios até junho de 2021, tendo melhorado algumas condições, nomeadamente o reforço das coberturas com uma maior assunção de risco por parte do Estado. 

 

A capacidade de monitorização das empresas ligadas ao seguro de crédito continua a ser vital para os exportadores? Há novos mercados potenciais, nomeadamente a nível dos emergentes? 

O impacto da crise não é uniforme, nem em termos geográficos nem setoriais. Por isso, só as empresas que dispõem de um seguro de créditos têm acesso a um conhecimento rigoroso do risco dos seus clientes atuais e potenciais, para além da proteção financeira em caso de incumprimento. As perspetivas de crescimento para 2021 são mais acentuadas nos países emergentes (6,3%) do que nas economias desenvolvidas (4,3%) pelo que as empresas exportadoras têm de estar atentas às oportunidades que possam surgir nos vários mercados, as quais podem ser potenciadas pela utilização adequada das informações fornecidas pelo seguro de crédito. 

 

Até que ponto o Brexit, e as condições em que foi negociado, tem impacto na economia nacional? 

O Reino Unido tem um peso muito relevante nas exportações nacionais, pelo que o Brexit terá sempre um impacto importante para Portugal, ainda que minimizado por ter sido alcançado um acordo quanto às regras de saída. O longo período de negociações também possibilitou às empresas ajustar o seu negócio, adotar medidas para reduzir o impacto adverso deste novo enquadramento comercial e, sempre que possível, viabilizar a manutenção das relações comerciais com o Reino Unido.  


Berta Cunha, consultora da MDS Portugal
Publicado no Suplemento Seguros de Crédito à Exportação, do Jornal Económico 
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