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Seguros de Transporte

11.12.2020
Seguros de Transporte

No mundo global em que vivemos, pautado pelo crescimento constante das transações comerciais entre países, a ameaça à entrega/receção das mercadorias no timing e condições desejáveis é um desafio fundamental. Acontece que, como frequentemente escutamos, esse crescimento vem acompanhado do correspondente aumento da ocorrência de acidentes, incêndios e, sobretudo, roubos que criam graves prejuízos às empresas.

Porém, temos dificuldade em aprender com experiências alheias. Damos pouca importância ao que se passa ao nosso lado e ao que vamos ouvindo, até que chega aquele momento em que aprendemos da pior forma possível, sendo confrontados com uma situação que impacta gravemente o negócio e que poderia ter sido facilmente evitada.

Há riscos que não vale a pena correr e um deles é permitir que a mercadoria viaje sem seguro de transporte. Para sua tranquilidade e segurança, os empresários têm de ver na necessidade de contratar um seguro de transporte um aliado enquanto ferramenta de gestão, integrando a sua contratação nas boas práticas empresariais e incluindo-o na sua estrutura de custos.

Ficar dependente dos seguros de responsabilidade civil que as empresas transportadoras contratam, e que na maioria das vezes estão apoiados em convenções internacionais que limitam a responsabilidade a um determinado valor por quilograma de mercadoria independentemente do real valor desta, não é seguramente o caminho a seguir.


O QUE É O SEGURO DEMERCADORIAS TRANSPORTADAS?

O seguro de transporte de mercadorias nasce do seguro marítimo, o mais antigo de todos os ramos de seguros.

Este seguro cobre os danos que as mercadorias possam sofrer desde o momento da sua expedição na origem até à entrega, incluindo a carga e descarga e os possíveis transbordos.

Alguns exemplos dos riscos a que as mercadorias ficam sujeitas são: roubo, acidente com o veículo transportador, danos durante operações de carga ou descarga, tempestades e outras condições climatéricas adversas, incêndio, encalhe ou naufrágio do navio, avaria grossa, pirataria, entre outros.


O QUE NÃO FICACOBERTO PELO SEGURO?

Apesar de a extensão da cobertura ser diferente em funçãodas cláusulas aplicáveis, as apólices de mercadorias de uma maneira geralexcluem: dolo, insuficiência ou inadequação da embalagem, vício próprio e perdaou dano causados por demora.

 

QUEM DEVECONTRATÁ-LO: O IMPORTADOR OU O EXPORTADOR?

Qualquer dos envolvidos no processo pode/deve segurar osdanos à carga. De acordo com o contrato e o incotermutilizado, o seguro de mercadoria poderá ficar a cargo do comprador ou dovendedor.

 

O QUE SÃO OSINCOTERMS?

São os termos utilizados num contrato internacional decompra/venda que, no que respeita ao seguro, definem qual das partes (vendedorou comprador) tem a obrigação de o contratar e pagar o prémio respetivo.

Alguns dos incoterms mais comuns são: EXW (Exworks), FOB (Free on board), CIF (Cost, insurance and freight

 

SEGUROS DE TRANSPORTEEM TEMPO DE PANDEMIA

Os tempos que vivemos trazem novas experiências e dificuldadesacrescidas, mas também novas oportunidades.

As empresas têm-se adaptado, reinventado e, por vezes,mudado radicalmente o percurso de muitas décadas. São novos produtos, novosmercados, novos canais, novos fornecedores, novos clientes.

Esta mudança rápida deixa a empresa, em muitos casos,exposta a novos riscos que até então não tinha experimentado. Os factos enúmeros não mentem e devem servir de alerta para a necessidade de protegermos amercadoria com um seguro adequado. Por exemplo, os equipamentos de proteçãorelacionados com a Covid foram particularmente visados pelos criminosos. Aprocura do mercado negro levou a uma série de roubos de equipamento de proteçãopessoal, visto que os infratores sabiam que este era um dos produtos maisvalorizados.  Os dados registados "apenas”pela TAPA – Transported Asset Protection Association, referentes ao período de marçoa agosto 2020, já demonstram a dimensão do problema:

  • 680.000 máscaras duma localização desconhecidana República Checa a 17 de março
  • 500.000 máscaras roubadas de um camião em Françaque ia para a fronteira espanhola, a 7 de maio
  • 200.000 máscaras desapareceram de um camiãoestacionado numa estação de serviço em Espanha a 8 de maio
  • 50.000 fatos de proteção médica foram roubadasde um camião numa área de serviço em França a 7 de abril
  • 500 ventiladores roubados do armazém de destinoem Colónia, Alemanha, em 16 de março
  • Um carregamento de gel desinfetante roubado deum camião em Odsmalsbron na Suécia a 6 de abril
  • Luvas e equipamentos de proteção médica roubadosde um camião em Bergen, Noruega, a 20 de março
  • Máscaras roubadas de um veículo emCoulounieix-Chamiers em França, a 18 de março

A procura de outro produto altamente valorizado durante aquarentena foi também refletida no roubo de 130.000 rolos de papel higiénico dereboques em Walsall, no Reino Unido, a 20 de março.

Cinco países tiveram 87% de todos os roubos de cargareportados pela TAPA no período de 6 meses: Reino Unido (1.670 incidentes), Alemanha(827), Holanda (170), Espanha (129) e Rússia (63). Ou seja, quatro destespaíses estão entre os principais parceiros comerciais portugueses.

De realçar ainda que outros seis países reportaram também umnúmero de incidências superior a dois dígitos neste período, a saber: Itália, Dinamarca,Roménia, Bélgica, Hungria, e República Checa.

De referir que à TAPA só são comunicadas as ocorrências degrande dimensão.

 

Conclusão: o seguro de transporte de mercadorias é hoje umimperativo para as empresas, pois sem a contratação os gestores põem em risco ofuturo do seu negócio.

 


Domingos Magalhães, Diretor Direcção de Redes e Soluções Especiais da MDS Portugal
Publicado na publicação Vida Económica
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