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Novos modelos de trabalho, novos riscos?

18.03.2022
Novos modelos de trabalho, novos riscos?
O mundo em que vivemos é cada vez mais complexo e incerto, com novos riscos a surgir em resultado de novas condições sociais, ambientais, tecnológicas, económicas e geopolíticas.  

A pandemia de Covid-19 teve um profundo impacto nas sociedades e economias, e impulsionou a aceleração da digitalização e a adoção de novos modelos de trabalho. 

E estes novos modelos potenciam outros desafios e riscos, como por exemplo, os riscos psicossociais associados ao isolamento dos trabalhadores em teletrabalho; ao aumento da exposição aos ecrãs digitais e consequentes problemas ergonómicos (decorrentes da má postura na utilização destes equipamentos, dos movimentos repetitivos com a utilização do smartphone, da fadiga visual, entre outros). 

Não sendo um problema necessariamente novo, intensificou-se nos últimos tempos, juntamente com outros que importa aprofundar e tratar adequadamente. 

Na realidade, os riscos relacionados com os acidentes e doenças profissionais são muitas vezes considerados como menos relevantes, mas representam custos muito elevados para os trabalhadores, empresas e sociedade em geral. Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 3 milhões de pessoas morrem anualmente em todo o mundo em consequência de acidentes ou doenças relacionadas com o trabalho (a maioria), verificando-se ainda mais de 300 milhões de lesões e doenças não fatais por ano, muitas delas resultando em ausências prolongadas ao trabalho. E em Portugal, verificam-se anualmente cerca de 200 mil acidentes de trabalho, dos quais mais de uma centena e meia são fatais, com novos casos de doenças profissionais certificadas e mais de mil mortes por doenças ligadas ao trabalho.  

Estes números são reveladores da importância de redefinir o paradigma da prevenção, adotando uma visão mais integrada e abrangente, tanto ao nível dos acidentes como das doenças relacionadas com o trabalho. 

 

Que abordagens seguir? 

Na ótica das empresas, é essencial acompanhar o ritmo das mudanças, compreender a sua realidade e integrá-la nos processos quotidianos de gestão, procurando formas adequadas de identificação, análise, mitigação e financiamento dos riscos, tanto os conhecidos como os emergentes  

Tradicionalmente, a gestão de riscos visa minimizar os danos ao valor que a organização cria para si mesma, para os funcionários, os acionistas, os clientes e a comunidade, e cada empresa decide sobre o entendimento que tem sobre determinado risco e os seus impactos. É comum que os riscos de maior impacto, como por exemplo o económico, ocupem maior destaque nas preocupações e, por conseguinte, se relegue para segundo plano outros igualmente importantes, como os riscos laborais.  

Numa perspetiva mais holística, a gestão de riscos segundo a abordagem "Enterprise Risk Management (ERM)” atua em duas frentes: a tradicional, visando a proteção da empresa contra danos e a criação de oportunidades para melhorar o desempenho dos negócios. Nesta vertente, os riscos (por exemplo, estratégicos, financeiros, processo, ambiente, pessoas etc.) são abordados de forma estratégica, através de metodologias de identificação, avaliação, priorização e tratamento. A gestão de riscos do negócio é feita numa base contínua, assente em processos estruturados e abrangendo um amplo espectro de riscos, internos e externos. Na abordagem ERM, a empresa tem maior domínio sobre os riscos.  

Assim, é importante contar com o apoio e aconselhamento de especialistas em consultoria de risco e ERM, como é o caso da RCG - Risk Consulting Group, empresa do Grupo MDS. 

Seja qual for o caminho seguido, mais ou menos sofisticado, o importante é que as empresas invistam em segurança e saúde no trabalho (SST) na medida em que tal permite melhorar o desempenho e a produtividade, aumentar a motivação dos trabalhadores e reduzir os efeitos diretos e indiretos dos acidentes e doenças relacionadas com o trabalho, nomeadamente o absentismo. Este investimento deve ter um carácter estratégico, contínuo e sistemático, adaptado às necessidades de cada empresa, mas tendo em conta a o atual panorama de risco e incerteza de um mundo cada vez mais complexo.  




Luís Paralvas Ribeiro, Senior Risk Engineer da RCG – Risk Consulting Group
Publicado no suplemento Seguros, na Vida Económica
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