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A evolução da corretagem no último ano

Fonte:Jornal Económico09.04.2021
A evolução da corretagem no último ano
"A pandemia alterou de forma radical as necessidades dos consumidores e reforçou a visão de que a indústria seguradora, nomeadamente a corretagem de seguros, é um negócio de pessoas. Num momento em que o contacto presencial está limitado e em que a digitalização invade as nossas vidas, nunca a relação com o cliente e a sua confiança foram fatores tão importantes. O cenário de pandemia e digitalização contribuiu também para o desenvolvimento e disponibilização de novos produtos e serviços, dando resposta às necessidades dos clientes.
Por exemplo, a pandemia fez disparar os ataques cibernéticos, dada a migração para o teletrabalho ter criado condições únicas para os hackers atuarem. Para se protegerem, as empresas e cidadãos passaram a olhar para as soluções de seguro cibernético, tendo-se registado um forte crescimento da procura. Também na área da saúde, verificou-se uma maior preocupação, levando os consumidores a procurar mais informação e a contratarem seguros de saúde. Um outro sinal desta realidade, foi o aumento exponencial da utilização das consultas médicas virtuais, que permitem consultar um médico na segurança das casas. É interessante salientar que num momento de disrupção social e económica, o sector segurador foi dos que melhor respondeu à pandemia, oferecendo respostas para as necessidades e preocupações dos seus clientes.
Num ano que ainda será marcado pela pandemia, o sector segurador tem como grandes desafios acompanhar e apoiar os clientes, bem como zelar pela segurança das suas pessoas, num cenário de taxas de juro baixas e fraco crescimento económico. Os efeitos económicos da pandemia no tecido empresarial português podem traduzir-se em menores níveis de atividade, o que terá impacto na procura de ramos como acidentes de trabalho, seguros de crédito, etc. Por outro lado, a extensão das moratórias nos seguros até 30 de setembro obrigam a um esforço adicional de toda a indústria, de forma a permitir equilíbrios entre seguradoras e clientes. Esta situação coloca desafios de liquidez à indústria, que tem de assegurar o pagamento dos sinistros e enfrentar um cenário de baixas taxas de juro. O sector terá de continuar a apostar forte na digitalização para responder às necessidades dos clientes e redes, aproveitando a tecnologia para suportar de forma adequada e eficiente muitos dos processos associados à gestão dos seguros, desde a venda até à regularização de sinistros. Ao nível da distribuição, os corretores poderão ter um papel ainda mais decisivo, dado o conhecimento e relação com os clientes, que é crucial neste momento em que o contacto presencial está limitado. Aliás, a pandemia veio reforçar a importância dos corretores de seguros, que têm hoje de assumir um papel ainda mais relevante no sector. Além de procurar as melhores soluções, têm de oferecer valor acrescentado e apoiar os clientes com conhecimento e serviço. Tecnologias como a inteligência artificial ou a data analytics avançada vão permitir potenciar o conhecimento do cliente - nomeadamente do seu perfil, necessidades e expectativas - e estruturar soluções (produtos e plataformas) alinhadas com os desafios resultantes da pandemia. Esta maior e mais fina recolha e tratamento de dados, além de reforçar o conhecimento dos perfis, melhora a capacidade de identificação dos riscos, sua quantificação e mitigação, possibilitando a construção de soluções adaptadas às diferentes realidades. Neste novo paradigma, corretores com visão e capacidade de investimento, como é o caso da MDS, ganharão relevância. Assim, o broker de seguros do futuro tem de se afirmar como consultor de seguros e riscos. O seu papel passa por identificar e quantificar riscos, elencar medidas de mitigação desses mesmo riscos e procurar a melhor solução de seguros para os riscos e exposições sobrantes".
Por outro lado, o risco cibernético é, já há alguns anos, considerado um dos riscos mais críticos que as organizações enfrentam, sejam públicas ou privadas, grandes, médias ou pequenas. Com a pandemia, a sociedade migrou de um mundo físico para um digital, onde todos - famílias, alunos e empresas - somos ciberdependentes e, consequentemente ciber vulneráveis. Assim, se o risco cibernético já era preocupante, com a atual pandemia atingiu proporções nunca antes antecipadas ganhando um nível de relevância extremo. Face aos efeitos catastróficos que eventos cibernéticos podem causar, inclusivamente colocando em perigo o sucesso e continuidade dos negócios, torna-se critico que as organizações elevem a gestão dos riscos cibernéticos a um patamar estratégico.

Para as organizações se protegerem, a transferência deste risco para o mercado segurador é fundamental, sempre em articulação e complementaridade com os mecanismos de segurança adequados e planos eficazes de resposta a incidentes. Através de seguradores e corretores qualificados como a MDS, a indústria seguradora tem acompanhado a própria modificação e evolução do risco, disponibilizando soluções de seguro que ultrapassam os limites e modelos de atuação das apólices tradicionais, bem como uma oferta integrada de serviços e coberturas que constituem comprovadas e eficazes respostas perante um evento/sinistro cibernético. Também o risco de catástrofes naturais tende a ser cada vez mais relevante, dado o aumento da frequência e severidade deste tipo de situações. As alterações climáticas estão a afectar o mundo e Portugal não é exceção, estando aliás particularmente exposto a estes fenómenos. A realidade tem demonstrado  uma clara tendência para uma ocorrência de dois ou mais eventos anuais causados por eventos catastróficos, como sejam inundações, incêndios ou ventos ciclónicos, também com consequências mais severas como foi o evento que levou à tragédia de Pedrogão Grande.

Esta tendência nos últimos anos tem sido sentida por todos, de forma dura. Não obstante o incontornável impacto económico destas catástrofes, o setor segurador nacional tem respondido à altura, apresentando a solidez, resiliência e experiência necessárias para lidar com este risco crescente. Para esta capacidade de resposta muito contribuiu o elevado grau de conhecimento científico e domínio das exposições envolvidas, tal como a própria gestão da exposição das seguradoras a este risco, que têm optado pela sua transferência para o mercado ressegurador internacional. Por fim, não podemos deixar de referir que, se é um facto que a indústria seguradora está preparada, o mesmo não acontece, na mesma amplitude, pela sociedade em geral. Continua a existir um grande universo de ativos que não estão protegidos por seguros que garantam eventos catastróficos, o que afeta negativamente o nível de resiliência do país e nos prejudica a todos." 



Ricardo Pinto dos Santos, CEO da MDS Portugal, e Pedro Pinhal, Diretor Técnico e Sinistros da MDS Portugal
Publicado no Suplemento Quem é Quem - Seguros do Jornal Económico
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